Há projetos que funcionam como um ponto de chegada, mas há outros que parecem abrir portas para novas possibilidades. Rodrigo 13 veio mostrar que se aproxima muito mais desta segunda hipótese, e quem esteve presente na Primeira Box do Coliseu Porto Ageas, a 25 de setembro, teve a oportunidade de comprovar esta teoria ao vivo.


AS FLORES TAMBÉM DANÇAM é o nome do EP de estreia do artista, lançado a 7 de outubro, que conta com seis faixas, onde se cruzam sonoridades urbanas com referências populares portuguesas, construindo uma identidade dançável que esconde mais do que uma vontade de pôr o público a mexer.



O EP abre com MATIRÁPOTANQUE, onde Rodrigo 13 parece demonstrar o confronto com as suas batalhas e afirmar a vontade de crescer e construir um percurso independente, ao seu próprio ritmo, valorizando a sua identidade e a afirmação individual.


Já em PACIÊNCIA, com Ella Nor, troca a espera pela ação. Se, na faixa anterior, o artista assume que está disposto a enfrentar o confronto, aqui parece recusar a espera como condição para alcançar os seus objetivos. A paciência deixa de ser uma virtude e passa a ser aquilo que o impede de avançar.


Um dos lados mais vulneráveis surge em CARAPAÇA, onde o isolamento aparece como uma forma de proteção perante aquilo que continua a pesar. Rodrigo 13 apresenta, assim, uma possível contradição: querer seguir em frente sem depender dos outros, mas sentir, simultaneamente, a necessidade de se esconder para lidar com aquilo que não passa.



Na faixa seguinte, AS FLORES TAMBÉM DANÇAM,apesar do instrumental enérgico, a letra aborda a incerteza e a procura de paz. A contradição mais interessante do EPé sustentada pela ideia da possibilidade de dançar, mesmo quando aquilo que se sente está longe de ser leve. Em vez de tentar antecipar ou controlar tudo o que está para acontecer, o artista parece assumir uma posição de abertura perante o futuro, e é aqui que a imagem de dançar no meio da tempestade ganha ainda mais sentido.


Em ROSA, com ICARO, a música tradicional portuguesa encontra o hip-hop numa história que evoca um encontro de festa, intenso talvez por poder ser passageiro. A dança torna-se, mais uma vez, uma forma de viver o momento sem garantias do que virá depois.



O EP encerra com SUBARU, num registo novamente mais intenso, que volta a introduzir uma dimensão de confronto.O fim recupera, assim, uma das tensões centrais do projeto. Avançar implica aceitar que nem tudo pode ser controlado e que algumas mudanças são difíceis. Ainda assim, a vontade de continuar permanece.


Ao longo das faixas, Rodrigo 13 constrói um projeto onde a dança e a inquietação coexistem. No fundo, AS FLORES TAMBÉM DANÇAM parece lembrar-nos que não é preciso estar tudo bem para continuar a dançar. Às vezes, o movimento não significa que as dificuldades desapareceram, mas apenas que não estamos dispostos a deixar que nos parem.