Toda a gente diz que quer dar oportunidades a novos artistas.

É das frases mais repetidas por promotores, coletivos e organizadores. E quase sempre fica por aí. Na prática, os cartazes enchem-se com os mesmos nomes: os amigos, os amigos dos amigos, quem já conhecemos e em quem já confiamos. Não é por má vontade. É o caminho mais prático quando não tens uma boa fonte de novos nomes.


O problema do círculo

Quando só olhamos para quem já está perto, deixamos de fora exatamente as pessoas que dizemos querer apoiar. O artista que ninguém conhece continua sem ninguém que o conheça.

Para encontrar talento a sério, gente que sabe estar num palco e segurar uma sala, não basta dizer que estamos abertos. É preciso criar um espaço onde qualquer pessoa possa, de facto, aparecer e mostrar o que faz. Um espaço público, aberto e seguro para qualquer um mostrar a sua arte de forma confortável.




Um espaço livre de julgamentos

Foi para isso que criámos o Beats & Poetry. Um open mic intimista e sem julgamentos, onde a comunidade mais próxima se junta para partilhar a sua arte. Música, poesia, beatbox, dança, filmes. O formato pouco importa.

No B&P não há cartaz fechado nem inscrições. Compras o teu bilhete e apareces no próprio dia, sem avisar ninguém. O host pergunta à sala quem quer ler, mostrar ou tocar alguma coisa, e quem quiser sobe. Se tens um instrumental, mandas por mensagem. Se tens o teu setup, ligas às colunas da sala. Há microfone, colunas e placa de som. O resto és tu.

São três horas. O host gere o tempo de cada um ao longo da noite. Ninguém fica com o palco só para si.

No fim, vamos jantar. Toda a gente está convidada, quem atuou e quem só veio ouvir. É um momento informal, para conversar e conhecer quem esteve do outro lado do microfone. E, quem sabe, acabar a noite a beber copos na Baixa do Porto.


Do B&P para os eventos maiores

Alguns dos artistas que escolhemos para o Underground Showcase vêm do Beats & Poetry. Não é coincidência, é o nosso critério. De agora em diante, quem aparece no B&P tem prioridade.

Recebemos muitas mensagens no Instagram de artistas que querem tocar nos nossos eventos. E percebemos a vontade. Mas não podemos selecionar alguém só porque nos mandou mensagem. Não sabemos quem é, não sabemos se sabe tocar ao vivo, nem sequer sabemos se a música é dele. Um link não nos diz nada sobre ti nem sobre se podemos confiar que no dia do evento não te dá o nervosismo e desapareces.

O B&P diz. Lá vemos as capacidades de cada artista de perto, num ambiente mais pessoal. Vemos quem aparece, quem fica para ouvir os outros, quem respeita o espaço e quem o faz crescer. Isso conta tanto como o talento.

Não procuramos perfeição. Procuramos alguém que saiba dar uma performance ao vivo, com qualidade e iniciativa. Toda a gente sabe que aquelas salas metem nervos. Os nervos são normais. Só tens de ter coragem para dar o salto e mostrar o que vales.

E funciona. No próximo Underground Showcase, um dos artistas está no cartaz porque apareceu num B&P. Outro já tem data marcada para um evento futuro. Não foi sorte, foi porque apareceram.



Pessoas reais

Não temos interesse em rappers da net. Queremos pessoas reais, que aparecem, que dão a cara e que não querem que as oportunidades lhes sejam dadas de mão beijada.

O palco da Valtara não se pede por mensagem. Conquista-se.



Mostra o que vales

Anda ao Beats & Poetry e mostra o que vales.

Próxima edição: 14 de novembro, no The Alchemist. A entrada é paga e os bilhetes já estão disponíveis em thevaltara.com.