THINK MUSIC: O legado de uma geração

Houve uma altura em que a Think Music começou a ganhar cada vez mais espaço no rap português, numa fase em que o trap ainda estava a conquistar o seu lugar e uma nova geração de artistas começava a experimentar outras sonoridades. Mais do que uma editora associada a alguns dos nomes mais interessantes da altura, a Think Music acabou por fazer parte de uma mudança na forma como se fazia e se ouvia rap em Portugal.
Com ProfJam no centro do projeto, a editora destacou-se pela liberdade musical que dava aos artistas e pela vontade de experimentar sem ficar presa a uma fórmula. Mixtakes e mais tarde, #FFFFFF ajudaram a consolidar ProfJam como uma das figuras importantes desta nova fase do hip-hop nacional. Havia uma mistura de escrita, melodias e produções que se afastava do rap mais tradicional, sem que isso significasse deixar as barras para segundo plano. A ideia era explorar outras possibilidades e provar que o rap em português podia soar diferente.
Mas a história da Think Music não se resume a ProfJam. LON3R JOHNY é um dos exemplos mais claros de um artista que conseguiu ganhar projeção neste contexto, levando a sua música muito para além do underground. Nomes como Sippinpurpp e Yuzi também fizeram parte deste universo, mostrando que não existia apenas uma maneira de fazer música dentro da editora. E é precisamente isso que torna este período interessante, artistas com identidades diferentes encontravam espaço para desenvolver os seus próprios caminhos.
É importante perceber que a Think Music não descobriu todos estes nomes do zero, nem foi a única responsável pelo crescimento do trap em Portugal. Mas teve um papel importante na sua divulgação e ajudou a dar visibilidade a uma geração. O autotune, as melodias e as produções mais eletrónicas começaram a ocupar um lugar cada vez maior no rap nacional, numa altura em que ainda existia alguma resistência a estas abordagens. Hoje, muitas destas sonoridades já são comuns, mas na altura faziam parte de uma mudança que nem toda a gente acompanhava da mesma maneira.
A editora encerrou atividade em 2020, mas os artistas seguiram os seus percursos. E, olhando para o que aconteceu desde então, é difícil falar desta fase sem reconhecer a importância que teve na evolução do rap português. Não significa que tudo tenha começado com a Think Music, nem que tudo o que veio depois seja consequência direta do seu trabalho. Significa, simplesmente, que fez parte de um período importante e ajudou a abrir espaço para outras formas de criar.
No final, o impacto da Think Music está tanto nos artistas que passaram por lá como na mudança de mentalidade que ajudou a trazer para o rap português. Pode já não existir enquanto editora, mas a sua história continua a merecer atenção, sobretudo quando tentamos perceber como é que o trap passou de uma sonoridade que dividia opiniões para uma parte tão presente da música nacional.

