WE OUTSIDE com Norty
Norty é um rapper de 24 anos, natural de Vila Nova de Famalicão, que encontra no Trap o centro de um universo intenso e de estética vincada. Com influências que atravessam Rage, SuperTrap e HoodTrap, distingue-se pela entrega vocal e uma presença em palco construída em torno da energia e interação com o público.
Depois de iniciar o percurso em 2020, apresenta em 2024 o EP ME, ME & ME e, no ano seguinte, junta-se a Mx no álbum colaborativo ECOS DO VAZIO, projeto que ajuda a consolidar a sua presença na cena emergente.

Em 2026, após quase um ano sem lançamentos, regressa com QUESTÃO DE RESPEITO e BNB, singles que anteciparam WE OUTSIDE, o seu primeiro álbum a solo. Com 13 faixas, o projeto expande a base Trap através de elementos de Rage, Glo, HoodTrap, Jerk, SuperTrap, Ambient e Detroit, afirmando uma nova fase artística construída para ocupar espaço. Tanto em disco como em palco.
WE OUTSIDE é o primeiro álbum a solo de Norty e nasce de uma revolta contra a própria estagnação. É a decisão de deixar de esperar. É sair e ocupar espaço.
Ao longo de 13 faixas, o Trap assume diferentes formas, entre a energia crua dos moshpits e momentos mais introspetivos.
Entre ambição, excesso, confronto e momentos de maior exposição, o álbum acompanha um artista determinado a provar aquilo de que é capaz.
WE OUTSIDE é um grito de guerra para todos os que se recusam a ficar a assistir. #WO

Através de algumas questões colocadas ao artista, podemos perceber efetivamente do que se trata este álbum.
Houve algo em específico que te levou a realizar este projeto?
Acho que o WE OUTSIDE nasceu sobretudo de uma insatisfação comigo próprio. Houve uma altura em que sentia que tinha muita ambição e vontade de fazer coisas maiores, mas, ao mesmo tempo, estava demasiado fechado na minha rotina, dividido entre responsabilidades pessoais, trabalho e outras questões que acabavam por afastar-me daquilo que realmente queria fazer. Cheguei a um ponto em que percebi que precisava de mudar essa postura. O álbum acabou por ser uma espécie de protesto contra essa minha versão. Queria deixar de estar constantemente a pensar naquilo que podia fazer e começar efetivamente a fazê-lo. Acho que o WE OUTSIDE representa muito essa decisão e a vontade de levar a minha música, e tudo aquilo que ambiciono, para outro nível.
Qual foi a inspiração por trás do nome do álbum?
WE OUTSIDE representa uma mentalidade. Não é apenas sobre estar na rua ou sair de casa; é sobre deixar de assistir à vida à distância e começar a ocupar o espaço que sentimos que nos pertence. A ideia surgiu muito dessa necessidade de sair de uma posição passiva e fazer alguma coisa com a ambição que existia, não só em mim, mas também nas pessoas que me rodeiam.
Existe uma componente coletiva muito importante na escolha do nome. Apesar de ser um álbum a solo, nunca senti que este projeto fosse construído apenas por mim. Há pessoas que fazem parte deste percurso desde o início e que contribuíram diretamente para aquilo que o álbum é hoje. O "WE" acaba por representar isso mesmo. É uma afirmação minha, mas que ganha outra dimensão quando é partilhada com as pessoas que estão comigo.
A estética visual do projeto foi algo que quiseste que fosse bem vincado?
Sim, sem dúvida. Queria que o álbum tivesse uma identidade visual muito própria e que fosse facilmente reconhecível, mesmo sem estar diretamente associado à minha imagem. A escolha da gárgula para a capa surgiu precisamente dessa intenção. Historicamente, as gárgulas estão associadas à proteção dos espaços exteriores, sendo figuras colocadas nos edifícios para afastar aquilo que é indesejado. Interessou-me essa dualidade entre proteção e intimidação. É uma figura que está exposta, que observa e que impõe presença. De certa forma, identifiquei-me com essa ideia de não estar escondido, mas sim de ocupar um lugar e ser impossível de ignorar.
Também quis que a cor tivesse um significado próprio. Depois de trabalhar durante bastante tempo com uma identidade mais monocromática, senti que precisava de uma rutura visual. Escolhemos o #6E0000, um vermelho bastante profundo cuja associação ao sangue não é acidental. Representa o desgaste, o trabalho e tudo aquilo que foi necessário abdicar e investir para chegar a esta fase, mas também a raiva, a intensidade e a energia que estão muito presentes na música e na experiência dos concertos. A gárgula, enquadrada pelo W e pelo O, acaba por completar esta identidade. Mais do que uma capa, queria criar uma espécie de insígnia para o álbum, algo que pudesse continuar a existir e a ser reconhecido para além deste lançamento. Felizmente, tive pessoas próximas, nomeadamente o pessoal do Terraço Norte, que ajudaram a transformar esta visão numa identidade visual concreta.

Que energia pretendes passar com o lançamento deste projeto?
Quero transmitir uma energia de afirmação, liberdade e movimento. O álbum transpira muita confiança, agressividade e uma vontade muito grande de ocupar espaço, mas não queria que ficasse limitado a isso. Existem momentos mais introspetivos em que acabo por expor lados meus que normalmente não estão tão presentes na minha música. Acho que essa dualidade é importante porque representa melhor aquilo que sou e aquilo que quero transmitir enquanto artista.
Também quero que se sinta a energia coletiva que está por detrás do projeto. OWE OUTSIDE não é apenas sobre a minha evolução ou aquilo que quero alcançar; é também sobre as pessoas que estão comigo e sobre aquilo que conseguimos construir quando existe uma vontade comum de fazer mais. Gostava que o álbum despertasse nas pessoas essa mesma vontade de sair da sua zona de conforto, de procurar o que é seu e de não ficarem à espera que as coisas aconteçam. Se a música conseguir transmitir essa sensação, seja através de um concerto ou até de uma faixa ouvida individualmente, então sinto que o projeto está a cumprir o seu propósito.
Em concertos vindouros, sentes que a energia das plateias poderá vir a mudar após a audição do álbum?
Conhecer um projeto na sua totalidade acaba por criar uma ligação diferente com as músicas, especialmente quando existe uma identidade e uma intenção por trás de cada uma delas. O álbum tem várias faixas que foram pensadas para ter um impacto muito físico ao vivo, por isso estou bastante curioso para perceber como é que vão funcionar com o público, principalmente em momentos de maior intensidade.
Para mim, o mais interessante será ver as pessoas a reconhecerem o universo que foi construído desde a música até à própria identidade do projeto e a sentirem-se parte dele. No final, quero que as pessoas sintam que fazem parte daquilo que está a acontecer em palco. Até porque, como o próprio nome do álbum indica, WE OUTSIDE nunca foi suposto ser uma experiência individual. É algo que ganha outra dimensão quando estamos todos do mesmo lado.

Com distribuição pela AltaFonte Portugal e participações especiais de 2Busy, MX e Xando, o álbum conta com um ambiente tão impactante que, para os já fãs de Norty, faltar ao seu próximo concerto no dia 14 no Maus Hábitos está fora de questão. Para quem se tornou fã do artista através deste projeto, o rapper dá as boas-vindas ao seu universo com um trabalho que representa muito bem a sua presença em palco e não só.
Explora WE OUTSIDE por Norty
Redes Sociais
Instragram: @norty._
Youtube: @nortynf
Spotify: Norty
Tracklist:
1. FREAKY MF (prod. Lil Noon) @lilnoon.66
2. BNB (prod. dznn) @dznnflawlessboy
3. ARMA DE PORTE (prod. Kastro) @kastropls
4. CEO (prod. 30letto) @30letto
5. PATENTE (prod. Kastro) @kastropls
6. NOUTRA LIGA ft. Mx (prod. CPrickR , lyler , Kastro) @cprickr , @lyyler , @kastropls
7. NR1 (prod. Kastro) @kastropls
8. FEELINGS ft. Mx (prod. Ramos) @jmoneyramos
9. SIRI ft. 2busy (prod. Kastro) @kastropls
10. QUESTÃO DE RESPEITO (prod. lyler , Kastro) @lyyler , @kastropls
11. DRANK ON MY CUP ft. Xando (prod. sladerr) @prod.sladerr
12. REGALIAS (prod. Big Mellow) @bigmellowsoufside
13. WHATEVER YOU WANT (prod. Kid Fredo , CPrickR) @kid_fredo , @cprickr
Artigo escrito por: Gonçalo Sousa